O Mercedes-Benz CLA 250+ Shooting Brake chega à linha com um ganho bem-vindo de espaço e praticidade, sem abrir mão do visual.
Alguns meses depois do sedã (ou “coupé de quatro portas”, como a própria marca o define), é a vez do novo CLA Shooting Brake. Ele repete quase todos os argumentos do modelo que já tivemos a oportunidade de experimentar - com os mesmos pontos fortes e também as mesmas limitações -, mas adiciona avanços relevantes quando o assunto é versatilidade. O principal deles é um porta-malas mais competente, que responde diretamente a uma das críticas mais recorrentes ao sedã. Além disso, o teto com caimento mais horizontal ajudou a aumentar a altura disponível para quem viaja na segunda fileira.
Em comparação com o antecessor, o novo CLA Shooting Brake ficou 3,5 cm mais longo (total de 4,72 m), 2,5 cm mais largo (1,86 m) e 2,7 cm mais alto (1,47 m). A maior evolução, porém, está no entre-eixos, que cresceu expressivos 6,2 cm (chegando a 2,79 m), graças à nova plataforma MMA voltada a modelos elétricos - a base deste CLA e também de toda a nova geração de elétricos de entrada da Mercedes-Benz, na qual se incluem os GLB.
Inspiração AMG
A nova grade bebe da linguagem dos AMG mais recentes e chama atenção pelo fundo estrelado (142 pequenos pontos iluminados), como no protótipo Vision EQXX - que serviu de laboratório para tecnologias da mais nova geração de elétricos da marca alemã.
Recursos como as extremidades rebaixadas, as proteções inferiores da carroceria, o pequeno aerofólio sob a tampa do porta-malas e as maçanetas retráteis colaboram para um coeficiente aerodinâmico (Cx) impressionante, em torno de 0,22 (chegando a no máximo 0,24 nas versões mais esportivas e com rodas maiores), apenas levemente acima do sedã (0,21).
Essa prioridade pela aerodinâmica faz diferença para reduzir consumo e ampliar autonomia, como mostram os números oficiais desta versão: 12,7 kWh/100 km e até 769 km com a carga completa da bateria maior, de 85 kWh.
Já as versões de entrada utilizam uma bateria menor, de 58 kWh, com química LFP em vez de NMC (com menor densidade energética), o que se traduz em autonomia mais baixa: até 520 km (ciclo combinado WLTP).
Mais espaço atrás para passageiros e bagagens
Mesmo com o aumento das medidas externas, o espaço interno não avançou de forma tão marcante quanto se poderia esperar em relação ao modelo anterior. Ainda assim, o assoalho totalmente plano na segunda fileira eleva o conforto, especialmente para quem vai no meio.
Isso ajuda a explicar por que, frente ao sedã, o CLA Shooting Brake passa a fazer mais sentido para passageiros traseiros com mais de 1,85 m de altura. Soma-se a isso um porta-malas mais generoso, com 455 litros - 50 litros a mais do que no sedã. E ainda entram na conta os 101 litros do compartimento dianteiro, um dos maiores frunks do mercado, muito útil para guardar os cabos de recarga.
Na comparação com a geração anterior, porém, há uma perda de 30 litros. O motivo está na integração de componentes do conjunto elétrico sob o porta-malas, combinada com o refinamento aerodinâmico da carroceria. No fim, ele acaba sendo até o porta-malas menor do segmento - embora o CLA Shooting Brake não tenha concorrentes diretos nessa proposta de perua com linhas mais estilizadas.
Na dianteira, o destaque vai para a ampla área envidraçada que atravessa todo o painel, de pilar a pilar. Abaixo dela ficam o quadro de instrumentos (10,3”), a tela central do sistema multimídia (14”) e um terceiro display (14”) dedicado ao passageiro da frente. Como opcional, dá para incluir também um head-up display de 12,2” que projeta as informações no para-brisa.
O teto panorâmico é sempre item de série, e há dois tipos de bancos dianteiros disponíveis: um voltado ao conforto e outro com pegada mais esportiva. Também é possível escolher diferentes soluções de revestimento (tecido, couro, couro sintético etc.).
A boa percepção de qualidade vem tanto da solidez da montagem quanto do uso de materiais como alumínio escovado e madeira. Mesmo assim, a parte superior do painel não impressiona tanto, com uma textura apenas levemente macia ao toque. Além disso, o excesso de plásticos e de superfícies em preto brilhante pode incomodar, especialmente por conta da conhecida tendência a acumular marcas de dedos.
Também fica evidente que há menos comandos físicos do que no CLA anterior. Em alguns casos, essa “digitalização” foi longe demais - como no aquecimento dos bancos, que agora depende da tela central.
Ao volante do CLA Shooting Brake 250+
Os novos elétricos da Mercedes-Benz adotam arquitetura elétrica de 800 V, o que viabiliza potências de recarga de até 320 kW. Vale lembrar que o topo de linha EQS mal passava dos 200 kW. Com isso, a marca anuncia tempos de recarga particularmente rápidos, como até 325 km em 10 minutos.
Com condução moderada e em trajetos urbanos, o consumo médio pode ficar na casa de 12 kWh/100 km, o que coloca a autonomia WLTP perto dos prometidos 769 km com a bateria maior, de 85 kWh - exatamente a que usamos nesta primeira experiência dinâmica.
Depois, em trechos de estrada sinuosa que convidavam a um ritmo mais «solta», este primeiro teste terminou com média de 13,9 kWh/100 km. Ainda assim, esse resultado permitiria uma autonomia real por volta de 652 km com uma única carga completa - um número que segue bastante animador para o uso no mundo real.
Parte desse desempenho vem do câmbio de duas marchas, pensado principalmente para melhorar a eficiência e não tanto para extrair ganhos de desempenho - ao contrário do que se vê em modelos como o Mercedes-AMG GT 63 S E Performance ou nos Porsche Taycan e Audi e-tron GT, pioneiros na adoção desse tipo de solução.
Na prática, a operação é muito suave, e só em acelerações mais fortes dá para notar a troca entre a primeira e a segunda relação. O gerenciamento dessa transição varia conforme fatores como o modo de condução e a posição do acelerador, mas, em termos gerais, a primeira é privilegiada na cidade e em baixa velocidade, enquanto a segunda assume em ritmos mais altos. Ela é praticamente exclusiva acima dos 110 km/h.
Competência dinâmica
O desempenho é bom, com aceleração de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos, acompanhada por retomadas eficientes e velocidade máxima de 210 km/h - mais do que suficiente para o tipo de uso esperado.
Apesar da resposta imediata típica dos elétricos, aqui com 335 Nm de torque disponíveis na hora, não houve perda de tração em piso seco. A tração traseira também ajuda, tanto por administrar melhor a entrega de torque quanto por reduzir vibrações percebidas no volante.
A direção, por sinal, tem papel importante na dinâmica agradável do novo CLA: tende a ser leve, mas mantém precisão suficiente mesmo em estradas bem sinuosas, quando o motorista quer se divertir um pouco mais.
Nessas condições, o CLA Shooting Brake também exibe a melhoria mais relevante na condução: os freios, agora sem qualquer sinal do toque esponjoso e da resposta que marcavam modelos anteriores da Mercedes-Benz. A evolução vem da nova geração do sistema de frenagem “One-box”, que reúne em um único componente o servofreio, o cilindro-mestre e o controle de estabilidade.
Trata-se de um sistema eletrônico brake-by-wire (sem ligação física), com a vantagem de atuar mais rápido, ao mesmo tempo em que o pedal esquerdo oferece uma modulação bem calibrada.
A suspensão - independente nas quatro rodas, com eixo traseiro multibraço - entrega um equilíbrio muito bem resolvido entre estabilidade e conforto, que dificilmente deixará de agradar até os usuários mais exigentes.
Entre os pontos positivos, vale citar também a visibilidade externa, que só fica menos favorável na traseira por causa do vidro baixo. Ainda assim, as câmeras facilitam a leitura do que está atrás do Mercedes-Benz CLA Shooting Brake ao engatar a ré.
E há, igualmente, um bom nível de isolamento acústico, em parte porque o motor (síncrono de ímã permanente e desenvolvido pela Mercedes-Benz) é silencioso e fica ainda mais discreto graças ao uso de vidros duplos.
A partir de quanto?
Em Portugal, o Mercedes-Benz CLA Shooting Brake é oferecido na versão 250+ a partir de 57 600 euros, o que significa um acréscimo de 1400 euros em relação ao sedã equivalente.
Existe uma alternativa elétrica mais acessível, a 200, com preço inicial de 50 850 euros. Ela entrega 165 kW (224 cv) e vem exclusivamente com a bateria de 58 kWh, com autonomia declarada de 518 km.
Já na base absoluta da gama, o CLA 180 Shooting Brake parte de 49 550 euros, mas não é elétrico. Ele usa um motor a gasolina de 1,5 litros, turbo, com 136 cv, integrado a um sistema mild-hybrid 48 V. Isso faz com que a versão elétrica de entrada pareça «em conta» quando colocamos lado a lado as especificações das duas opções.
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