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Jim Rowan quer repetir o sucesso da Dyson na Volvo e na eletrificação

Carro elétrico Volvo branco modelo V carregando em garagem moderna com janelas de vidro grande.

O executivo que mudou o jogo na indústria de aspiradores agora tenta aplicar a mesma receita de sucesso da Dyson no setor automotivo. Muita gente argumenta que são universos pouco comparáveis, mas a cúpula da Volvo pensa diferente - e foi por isso que escolheu Jim Rowan para assumir como diretor executivo da marca.

Por vir de fora do mercado de carros, é natural que ele questione rotinas que, até pouco tempo, quase ninguém colocava em debate.

Um exemplo foi a decisão de deixar a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), com saída efetiva ao fim de 2022 - em um movimento que chamou atenção por acontecer poucas semanas depois de a Stellantis, comandada pelo português Carlos Tavares, tomar a mesma atitude.

Diante disso, parecia plausível imaginar o surgimento de uma nova entidade liderada por Stellantis e Volvo. Ainda assim, Rowan afirma que a Volvo “saiu da ACEA foi porque viu várias decisões daquele organismo que em nada apoiavam as marcas que estavam a investir na eletrificação. (…) mas não existe a intenção de criar outra associação paralela neste momento”.

Entraves aos veículos elétricos

Além do desalinhamento com a ACEA na Europa, o CEO da Volvo também demonstrou incômodo com o ritmo mais lento de alguns concorrentes na adoção de veículos elétricos. Ao mesmo tempo, a própria União Europeia já sinalizou hesitação, em mais de uma ocasião, frente a propostas que buscavam adiar o banimento dos carros com motor a combustão no continente.

Mesmo assim, Rowan prefere não colocar o foco em temas que possam aprofundar divisões entre montadoras, lembrando que existe “(…) um interesse comum em vários campos, tanto para a indústria como para os clientes”.

Entre esses campos, ele destaca a infraestrutura de recarga - ponto central (e frequentemente decisivo) no avanço da eletrificação. Na visão do executivo, “não faz sentido definir que haja diferentes redes de carregamento, (…) mas sim aproveitar para fazer investimentos comuns nesta área, como o acordo que estabelecemos com a Tesla para usar os seus carregadores nos Estados Unidos”.

Além da dificuldade de criar uma rede de carregadores com cobertura realmente ampla, o preço dos carros elétricos também segue como um dos fatores que atrasa a adoção em massa.

Nesse tema, o entrevistado adota um tom mais otimista sobre a maior transformação do automóvel em 100 anos: “(…) Quando se fabricam automóveis com motor de combustão existe uma complexidade enorme… Quando mudamos para motores elétricos, o cenário altera-se por completo… há uma cadeia de fornecedores completamente distinta”. Em seguida, conclui:

“Há um motor elétrico e uma bateria, desta forma para se obterem potências variadas para veículos distintos basta adicionar módulos de bateria, enquanto o binário é “oferecido”. Incomparavelmente mais simples”.

Jim Rowan, CEO da Volvo Cars

Olhando por esse ângulo, é razoável perguntar por que a tão desejada paridade - de preço para o consumidor e de margem para o fabricante - entre carros com motor a combustão interna e elétricos ainda parece demorar.

Aqui, o CEO da Volvo surpreende ao declarar que “a Volvo já lá chegou.

Rowan explica: Já anunciámos que o vamos vender (EX30) por 35 mil dólares (aprox. 32 mil euros), nos EUA, e ouvimos comentários de que isso só seria possível esmagando as nossas margens de lucro, o que não corresponde à verdade. (…) O custo do lítio pode mudar a equação aqui e ali, mas hoje temos uma margem de 9% nos elétricos e iremos melhorá-la para 15% a 20% com o EX30. Que não são margens inferiores às que temos nos veículos a gasolina, garanto”.

E os motores a combustão?

Mais do que diferenças de velocidade na estratégia de eletrificação entre fabricantes, o CEO da Volvo chama atenção para a variação desse ritmo conforme a região do planeta: “quando olhamos para o processo numa perspetiva global, vemos cenários diferentes.”

“Nos EUA temos a Costa Oeste (…) a ser eletrificada a bom ritmo (…). O interior está a ficar para trás (…). Na Europa, o norte também está a agir com rapidez, mas o sul é mais lento. E a China (…), também está a levar a cabo um grande esforço que tem como locomotiva as centenas de grandes cidades que existem no país”, esclarece.

Essas diferenças, porém, também podem trazer uma vantagem - “ao menos para marcas como a Volvo, que ainda têm oferta de motores de combustão em paralelo com os 100% elétricos” - e tendem a ser menos positivas para empresas que vendem apenas carros elétricos.

Ainda assim, isso não é apresentado como justificativa para estender a vida dos motores a combustão. Ao menos na visão do ex-CEO da Dyson, essa continuidade não vai ocorrer, e ele reforça essa posição.

“O último motor Diesel num Volvo será montado no primeiro trimestre de 2024 e os centros de R&D na Europa e na China já desmantelaram os bancos de testes dos motores de combustão, o que quer dizer que mesmo os híbridos plug-in já não irão ser alvo de novos investimentos.”

Jim Rowan, CEO da Volvo

Em outras palavras, a Volvo deve ficar entre as primeiras marcas globais a operar somente com motores “a pilhas”.

Esse espírito pioneiro, no entanto, não parece intimidar Jim Rowan. Ele lembra que “a empresa número um em vendas de veículos elétricos em todo o mundo (…) é também a marca com a maior capitalização de mercado no mundo, o que prova que já hoje é possível ser fabricante de automóveis puramente elétricos com muito sucesso”.

Para 2023, a expectativa é que as vendas da Volvo fiquem um pouco acima de 700 mil unidades - e, se isso se confirmar, será o maior resultado da história de quase 100 anos da marca sueca.

O que podemos esperar nos próximos anos?

Em 2024, a Volvo colocará no mercado dois modelos inéditos: EX90 e EX30. A tendência é que eles empurrem as vendas para cima, aumentando a sensação de que a barreira de 1 milhão de novos Volvo em circulação por ano está ao alcance.

Jim Rowan sorri e lembra que “no momento da entrada em bolsa (…) foi dito que estaríamos próximos de 1,2 milhões de carros por ano em meados da década e a verdade é que estamos no bom caminho para lá chegar, mesmo com os ventos contra (…)”.

Para ampliar volume, é essencial conquistar novos compradores. Por isso, o executivo ressalta o potencial dos dois próximos Volvo a desembarcarem na Europa: “

“O interesse do mercado por um SUV compacto como o EX30, com uma autonomia de 480 km, é perfeitamente aceitável… até mesmo com uma menor autonomia o interesse mantém-se, se forem usadas baterias mais baratas (LFP) que permitam reduzir o preço desse modelo”.

Jim Rowan, diretor executivo da Volvo Cars

Até que ponto essas declarações são apenas mensagens de marketing de quem comanda uma montadora - buscando agradar analistas, cutucar rivais e motivar equipes? Jim Rowan, sem fugir do tema, admite que suas afirmações e metas podem gerar ceticismo.

Ainda assim, ele mantém a convicção ao dizer que “daqui a sete meses, quando a Volvo apresentar os seus resultados do segundo trimestre de 2024, todos poderão ver quantos EX30 foram vendidos e confirmar qual a margem de lucro conseguida”.

E continua: “Nesse momento, ficará claro que a Volvo será a única marca a ficar perto dos números da Tesla (…). Ficará provado que foi uma das primeiras marcas da indústria «tradicional» a conseguir fazer essa «travessia do deserto» e a chegar ao outro lado com elevados volumes de vendas e margens de lucros decentes”.

Da nossa parte, vamos acompanhar de perto.

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