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Dois Mercedes-Benz SL de Rudi Klein vão a leilão

Carros clássicos Mercedes-Benz 300SL prata e vermelho em exposição interna com portas asa de gaivota abertas

Vira e mexe surgem relatos de achados de carros antigos e raros: alguns aparecem esquecidos em celeiros, outros passam décadas trancados em garagens. Só que estes dois Mercedes-Benz SL entram em cena por um caminho diferente - e com personagens bem específicas.

A história volta a 1967, quando Rudi Klein abriu sua empresa no sul de Los Angeles (EUA). Por meio do negócio, ele comprava veículos sinistrados, na maior parte das vezes de seguradoras, para desmontá-los e vender as peças.

Pelo que se conta, Klein também era um entusiasta de automóveis - algo que fica claro pelos modelos mais especiais que decidiu guardar. Predominavam Mercedes-Benz e Porsche, mas havia ainda alguns Aston Martin, Bentley, Ferrari, Lamborghini e Rolls-Royce.

No fim dos anos 1970 e no começo dos anos 1980, a atividade atingiu o auge. Naquele período, os valores praticados não tinham praticamente nada a ver com os de hoje. Muitos exemplares que ele possuía - ou o que sobrava deles - eram comprados por algo em torno de US$ 200 (um pouco mais de € 180 na cotação atual).

Isso ajuda a explicar por que a maioria desses carros nunca foi restaurada: o custo do processo era bem mais alto do que o valor de mercado de cada modelo.

Com o passar do tempo, porém, a situação se agravou. Carrocerias de Porsche 911 e 356, além de outros modelos, foram se acumulando e ficando expostas às intempéries. Quem frequentava esse “ferro-velho” afirma que, nos melhores dias, chegaram a existir mais de 1.000 carros. Hoje, restam por volta de 200.

Mercedes-Benz mais especiais

Dentro do acervo de Rudi Klein - que morreu em 2001 - há verdadeiras joias paradas no tempo, como um dos 29 Mercedes-Benz 300 SL “Gullwing” (asas-de-gaivota) com carroceria de alumínio.

Esses carros eram identificados apenas como Leichtmetall-Ausführung (versão de metal leve), mas este exemplar - o número 26 de um total de 29 produzidos - foi o primeiro a sair da linha em 1956. Para completar, foi também o único desses SL com carroceria pintada de preto e interior em couro vermelho.

Ele foi comprado zero-quilômetro por Luigi Chinetti, importador da Ferrari nos EUA, e passou para as mãos de Rudi Klein 20 anos depois, em agosto de 1976, por US$ 30 mil e com pouco mais de 73 mil quilômetros rodados. Ainda assim, ao longo de quase meio século, nunca mais deixou o “ferro-velho” de Klein - nem o galpão onde permaneceu guardado.

Além da cor, este 300 SL conserva sua originalidade. Ele jamais foi restaurado e segue com o mesmo interior de fábrica, assim como a mesma carroceria, motor, câmbio, eixo traseiro e direção. Há, inclusive, o registro de que a única amassado visível, na parte traseira, foi causado pelo próprio Rudi Klein ao manobrar sua empilhadeira.

Quando for a leilão, no fim deste mês, a RM Sotheby’s estima que a venda fique entre os 4,1 milhões de euros e os 5,5 milhões de euros.

300 SL Roadster como alternativa

No mesmo ambiente em que Rudi Klein mantinha seus carros preferidos, há também um Mercedes-Benz 300 SL Roadster de 1957. À primeira vista, o Roadster sofreu mais com a ação do tempo do que o Gullwing: a carroceria exibe mais marcas, faltam mais peças e não existe nem a capota.

Este SL faz parte das 554 unidades do modelo produzidas em 1957. E é também um de apenas 30 exemplares fabricados com as rodas de liga leve Rudge, derivadas dos carros de competição.

De fábrica, a carroceria era vermelha e o interior vinha revestido em couro creme. Entre os itens de equipamento, constavam um rádio Becker Mexico, instrumentos graduados em quilômetros e um conjunto de malas.

O histórico aponta a entrega ao primeiro dono, Mr. Thompson, de Kitzingen, na Alemanha, mas depois disso pouco se sabe sobre a trajetória do veículo. Ainda assim, o odômetro marca somente 17 873 km e, segundo a leiloeira, ele mantém motor, carroceria e ambos os eixos originais. Já o câmbio não é o de fábrica, embora seja do mesmo tipo.

Em valores, a RM Sotheby’s projeta que o arremate possa ficar entre os 750 mil euros e os 900 mil euros.

Outras estrelas preciosas

Como a Mercedes-Benz era uma das marcas favoritas de Rudi Klein, não surpreende que, nessa sala de raridades, apareçam outros exemplares pouco comuns. Para além dos SL, talvez o maior destaque seja o 500 K “Caracciola” Special Coupé by Sindelfingen, de 1935, que também tem uma estimativa de venda bastante alta: entre os 3,65 milhões de euros e o 5,5 milhões de euros.

Também merecem menção três modelos da Maybach, produzidos entre 1936 e 1939, um Mercedes-Benz 370S de 1931 e até um 600 Pullman de 1968.

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