Pular para o conteúdo

Espanha avalia o TAI KAAN da Turquia após descartar o F-35B

Dois pilotos militares apertam as mãos diante de um caça estacionado, com bandeiras da Espanha e Turquia sobre a mesa.
  • ADICIONE COMO FAVORITO NO GOOGLE

Por que nos adicionar? Assim, você recebe as notícias do Zona Militar direto no seu Google.

As conversas e parcerias na área de defesa entre Turquia e Espanha ganharam mais destaque nos últimos meses. Isso acontece enquanto Madri procura caminhos para renovar a sua frota de aeronaves de combate, depois de ter deixado de lado a compra dos caças Lockheed Martin F-35B Lightning II para as Forças Armadas. Nos últimos dias, veículos da mídia turca e sites especializados passaram a apontar que a Espanha poderia estar avaliando a incorporação do caça de quinta geração TAI KAAN, desenvolvido pela Turkish Aerospace Industries (TAI), cujo início de serviço é previsto para 2030.

Esses rumores se intensificaram após o governo espanhol confirmar, em agosto, que não vai adquirir o F-35B - hoje o único caça ocidental com capacidade de decolagem curta e pouso vertical (STOVL), requisito fundamental para operar a partir do navio-aeródromo e principal meio da Marinha, o Juan Carlos I. Sem essa alternativa, a aviação naval de asa fixa fica com um horizonte mais indefinido, enquanto a Força Aérea Espanhola continua apoiada principalmente no Eurofighter Typhoon.

Cooperação Hispano-Turca em Ascensão

Como aliados na OTAN, os dois países compartilham bases doutrinárias, embora a Turquia tenha avançado na construção de uma indústria de defesa mais autônoma - que ganhou projeção internacional em drones e mísseis e, agora, também em caças de quinta geração. Na FEINDEF, feira de defesa realizada em maio em Madri, a presença da indústria turca foi particularmente relevante.

Nesse cenário, o governo espanhol formalizou a compra do jato de treinamento avançado Hürjet para substituir o F-5M, dentro de um acordo que prevê coprodução com a Airbus. Já em outubro, o Conselho de Ministros aprovou a ampliação do pedido para 45 aeronaves, que serão montadas na Turquia e receberão a integração de sistemas espanhóis.

Para analistas do setor, a evolução desses vínculos industriais dá combustível às especulações sobre um possível interesse espanhol no KAAN, ainda que o Ministério da Defesa não tenha confirmado a informação.

Espanha enfrenta substituição de Harriers

Do lado naval, a Marinha Espanhola precisa resolver a troca dos Harriers AV-8B+, cuja retirada de serviço está prevista para 2030. São essas aeronaves que operam a partir do Juan Carlos I e, atualmente, representam a única capacidade embarcada de asa fixa.

O Almirante-General Antonio Piñeiro, Chefe do Estado-Maior da Marinha, informou que existem esforços em curso para prolongar a vida útil dos jatos até 2032. Ele também destacou que estão sendo analisadas diferentes alternativas, entre elas a compra de unidades já aposentadas pelos EUA ou pela Itália, com o objetivo de utilizá-las como fonte de peças e componentes.

Depois da decisão de não adquirir o F-35B, a Espanha passou a considerar a construção de um novo porta-aviões convencional, o que ampliaria o leque de aeronaves possíveis - como o francês Rafale M ou a versão naval F-35C. Esse projeto está sob avaliação da Navantia e, por si só, não traz uma resposta imediata para evitar uma possível lacuna operacional quando os Harriers forem desativados.

O Kaan e o seu desenvolvimento

O TAI KAAN - chamado na fase inicial de TF-X - é o principal programa turco voltado a substituir os seus F-16C/D Fighting Falcon e F-4E-2020. Trata-se de um caça de superioridade aérea de quinta geração, concebido para ter baixa assinatura de radar, reunir aviônicos avançados com recursos de inteligência artificial e operar com capacidades de guerra em rede.

Segundo a TAI, a configuração inicial do Block 10 deve entrar em serviço em 2029, começando com capacidades mais limitadas, que serão ampliadas conforme o programa de ensaios e validações evoluir.

Em setembro, a empresa turca comunicou a montagem de dois novos protótipos, já com sistemas de missão quase completos, e indicou que os primeiros voos estão planejados para 2026. No total, serão construídos seis protótipos para sustentar a campanha de testes, enquanto o plano de produção inicial prevê oito aeronaves por ano. A Força Aérea Turca projeta comprar pelo menos 148 unidades.

No campo externo, o primeiro contrato de exportação foi fechado em junho com a Indonésia, prevendo a venda de 48 aeronaves ao longo de 120 meses, com transferência de tecnologia. “O acordo trará prosperidade tanto para a Turquia quanto para a Indonésia”, disse o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan ao anunciar a transação.

Apesar do avanço, o programa ainda depende de itens estrangeiros - como os motores General Electric F110, cuja exportação exige autorização dos EUA. Paralelamente, a Turquia trabalha no desenvolvimento de propulsores próprios, com a meta de iniciar testes em voo em 2028.

Uma alternativa de transição ao FCAS

Caso se confirme um interesse no TAI KAAN, a escolha poderia atender à demanda espanhola por um caça de quinta geração que complemente o Eurofighter, funcionando como uma solução de transição até a chegada do futuro sistema europeu FCAS (Future Combat Air System) de sexta geração, esperado para a década de 2040.

A definição sobre o substituto do Harrier e, de forma mais ampla, o rumo da aviação de combate espanhola ainda segue em aberto. Ao mesmo tempo, a Europa tenta diversificar fornecedores e diminuir a dependência dos EUA - um contexto em que a indústria turca desponta como um ator emergente.

Imagens ilustrativas.

Você pode se interessar por: Após dúvidas e atrasos, a Marinha dos EUA deve anunciar a empresa que desenvolverá seu futuro caça de sexta geração F/A-XX

Estamos procurando por você! Vaga aberta na Equipe Editorial da Blue Field Media para o cargo de Correspondente no Brasil


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário