A Stellantis pretende reduzir, no próximo ano, a produção de carros com motores de combustão interna para cumprir as metas de emissões de CO₂ previstas para 2025 e, assim, evitar multas.
Jean-Philippe Imparato, ex-CEO da Alfa Romeo e nomeado recentemente diretor de operações (COO) da Stellantis para a Europa, sinalizou que esses cortes podem começar já em 1º de novembro.
Durante o Salão de Paris, o executivo já havia avisado que o grupo precisa dobrar a participação de elétricos para 24% do total de vendas, a fim de alcançar os limites de emissões de 2025. Se a demanda por elétricos permanecer no patamar atual, o único caminho para chegar a esse objetivo - e escapar das penalidades - será diminuir a fabricação de modelos a combustão.
O que está em causa?
A redução de 100% nas emissões de CO₂ até 2035, na União Europeia (UE), será implementada em etapas - e o próximo marco é 2025. Ao fim do ano que vem, a média de emissões dos carros novos vendidos deverá cair das 115,1 g/km estimadas para este ano para apenas 93,6 g/km (ciclo WLTP).
Quem não cumprir a meta fica sujeito a uma multa de 95 euros por carro e por grama acima do limite. É um cálculo que pode rapidamente chegar a vários bilhões de euros. Luca de Meo, diretor-executivo do Grupo Renault e presidente da ACEA, estima que a indústria automotiva terá de desembolsar 15 bilhões de euros em multas. A alternativa, segundo de Meo, seria o setor abrir mão da produção de mais de 2,5 milhões de veículos.
Não por acaso, nos últimos meses, diferentes nomes da indústria vêm defendendo o adiamento dessas metas, que só seriam viáveis caso a participação de elétricos no mercado europeu avance para algo entre 20% e 25%. Em agosto, esse índice ficou abaixo de 13%.
Como é que a Stellantis vai alcançar as metas de emissões?
Até aqui, apesar de estar entre os grupos mais expostos ao risco de descumprimento, a Stellantis tem rejeitado com firmeza a prorrogação das metas de emissões: “seria surreal alterar as regras agora”.
“Retardar a transição serve apenas para prolongar o tempo em que temos de duplicar os custos, por culpa da diversidade tecnológica. E isso é impossível de gerir.”
Carlos Tavares, CEO da Stellantis
Para cumprir as metas, além de reduzir a produção de veículos a combustão, o grupo diz ter outras cartas na manga. A joint venture com a chinesa Leapmotor - na qual a Stellantis detém o controle majoritário - permitirá que as vendas desses elétricos entrem na conta de emissões do conglomerado.
Embora Imparato tenha evitado revelar metas específicas de vendas da Leapmotor para 2025, ele afirmou que o volume combinado de elétricos da Leapmotor e da Stellantis deve chegar a 20% das vendas totais do grupo no continente europeu.
Mesmo assim, o número ainda não fecha. O COO citou outras ações para elevar o peso dos elétricos no mix e, desse modo, diminuir o impacto dos cortes na produção de modelos a combustão.
Entre as iniciativas estão incentivos às concessionárias, ajustes de preço nos carros a combustão e a criação de metas de vendas adequadas a cada mercado. Nesse ponto, por exemplo, Imparato afirma que não pode exigir 20% de vendas de elétricos na Espanha e na Itália, onde a participação de elétricos é de apenas 5%. Em contrapartida, isso significa que, em outros países - como os Países Baixos -, a meta pode chegar a 50%, já que ali os elétricos passam de 31% do mercado.
Desafios
Ainda assim, reduzir a produção de veículos a combustão pode abrir novas frentes de dificuldade para o grupo, que já atravessa um 2024 complicado.
Os números do terceiro trimestre (julho a setembro) já foram divulgados e vieram fracos. As entregas recuaram 17% em relação a 2023, resultado que a Stellantis atribui ao atraso na chegada de modelos considerados essenciais, como o novo Citroën C3.
Além disso, a Stellantis interrompeu a produção do FIAT 500e em setembro, com a paralisação estendida até 1º de novembro. A fabricação do FIAT Panda também vem passando por suspensões temporárias de alguns dias, e há outras linhas de produção na mesma situação.
Fonte: Automotive News Europe
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