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Hubble faz novo close-up da Nebulosa Trífida no 36º ano no espaço

Homem observando imagem colorida de nebulosa na tela de computador em ambiente de escritório.

O Hubble acabou de registrar um novo close-up da Nebulosa Trífida, uma região de formação estelar a cerca de 5.000 anos-luz da Terra.

A cena não parece estática - há uma sensação de deslocamento, como se gás e poeira estivessem se reorganizando bem diante dos seus olhos.

A imagem marca o 36º ano do Hubble em órbita, um marco alcançado em 24 de abril. Nela, aparecem nuvens de gás e poeira moldadas por ventos estelares intensos por pelo menos 300.000 anos.

Esses ventos avançam e escavam o espaço, criando bolhas gigantes e comprimindo material.

A compressão aumenta a pressão e dá início ao nascimento de novas estrelas. À primeira vista pode parecer tranquilo, mas o ambiente é extremamente ativo.

Revisitar uma nebulosa, décadas depois

O Hubble fotografou essa mesma área pela primeira vez em 1997. Quase três décadas depois, o telescópio voltou ao alvo com instrumentos mais precisos e um enquadramento mais amplo.

Desta vez, a câmera atualizada do telescópio consegue captar mudanças sutis que antes não eram perceptíveis.

Com essas observações, cientistas acompanham como o gás se desloca e como jatos atravessam a nebulosa. Isso é importante porque ajuda a entender de que forma estrelas jovens crescem e influenciam - e são influenciadas por - o entorno.

Quando se observa o mesmo lugar ao longo do tempo, uma imagem fixa ganha algo mais próximo de uma narrativa.

Nuvem que lembra uma lesma-do-mar

O destaque deste novo registro é uma nuvem incomum, curva, que lembra uma lesma-do-mar. Os cientistas apelidaram a estrutura de “Limão-do-mar Cósmico”.

A nuvem exibe uma “cabeça” arredondada e um “corpo” longo e ondulado, composto por poeira e gás densos. Dentro desse contorno, uma protoestrela jovem lança jatos de plasma.

Um desses jatos se estende a partir do que parece ser um “chifre” no lado esquerdo da nuvem. Ele vem entrando em erupção em pulsos há séculos.

No lado oposto, um contra-jato correspondente deixa marcas irregulares, desenhando ao longo do tempo o histórico de atividade dessa estrela.

Outra estrela jovem fica próxima ao lado direito da nuvem. Ela é mais difícil de identificar, mas um ponto vermelho fraco e um jato minúsculo entregam sua presença.

Ao redor dela, um arco esverdeado sugere que a radiação intensa de estrelas vizinhas está, aos poucos, removendo o disco que a envolve. Esse comportamento indica que a estrela pode estar perto de concluir sua formação.

Sinais de atividade escondida

Nem tudo o que acontece ali é fácil de enxergar. Perto do centro da imagem, um traço nítido e anguloso muda de posição entre observações.

Esse deslocamento provavelmente vem de mais um jato, disparado por uma estrela ainda profundamente envolta em poeira.

Mais à esquerda, uma coluna fina de gás e poeira resiste. Grande parte do material ao redor já foi varrida, mas o núcleo mais denso permanece.

Essas regiões de maior resistência costumam indicar pontos onde novas estrelas ainda podem surgir.

A área mais escura fica no canto extremo direito. Ali, a poeira espessa bloqueia a maior parte da luz visível.

Algumas estrelas aparecem à frente dessa mancha, mas talvez nem façam parte da nebulosa. Elas podem simplesmente estar mais próximas da Terra e alinhadas por acaso.

Um ambiente colorido, porém severo

As cores do registro mostram como a radiação de estrelas massivas esculpe a região.

Perto do alto à esquerda, predominam tons de azul onde a luz ultravioleta forte arrancou elétrons do gás. Esse processo produz um brilho característico e ajuda a limpar a poeira ao redor.

Em outras partes, surgem faixas amareladas onde a radiação atinge material mais denso. Com o passar do tempo, essa exposição contínua desgasta e fragmenta as nuvens de gás.

É um processo lento que, no fim, deve apagar grande parte da nebulosa. O que restar será um aglomerado de estrelas totalmente formadas.

Pontos laranja intensos espalhados pela imagem indicam estrelas que já limparam o próprio entorno. Elas se destacam como “produtos finais” em um cenário que ainda está em construção.

Um telescópio que continua entregando resultados

A longevidade do Hubble tornou esse tipo de comparação possível. Ao longo de 36 anos, ele reuniu mais de 1,7 milhão de observações.

Quase 29.000 astrónomos usaram dados do Hubble, gerando mais de 23.000 artigos científicos.

Somente em 2025, perto de 1.100 trabalhos se apoiaram em resultados do Hubble.

O alcance do telescópio vai além da luz visível. O Hubble também investiga comprimentos de onda no ultravioleta e no infravermelho próximo, oferecendo aos cientistas uma visão mais abrangente do espaço.

Essa cobertura ajuda a revelar detalhes que telescópios terrestres não conseguem ver.

Trabalhando com a próxima geração

O Hubble já não atua sozinho. Desde 2022, astrónomos vêm combinando seus dados com observações do Telescópio Espacial James Webb.

O Webb observa o Universo em luz infravermelha, o que permite revelar detalhes que permanecem ocultos ao Telescópio Espacial Hubble.

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deve começar a varrer grandes áreas do céu. Sua câmera tem um campo amplo o bastante para capturar a Nebulosa Trífida inteira de uma só vez.

Esse tipo de cobertura pode trazer à tona novos objetos que antes não se destacavam.

O proposto Observatório de Mundos Habitáveis iria ainda mais longe, com um espelho maior e a capacidade de estudar diferentes tipos de luz.

O objetivo da missão é simples, mas ambicioso: encontrar planetas como a Terra e avaliar se poderiam sustentar vida.

Uma visão em mudança do Universo

A imagem mais recente da Nebulosa Trífida mostra mais do que um quadro bonito. Ela registra movimento, energia e a ação do tempo.

Fluxos de gás se deslocam, estrelas se desenvolvem, e a radiação reorganiza tudo o que encontra pelo caminho.

O retorno do Hubble a essa região deixa claro que o espaço não é imóvel. Mesmo a distâncias enormes, a mudança é constante. E, a cada nova observação, ela se torna um pouco mais fácil de perceber.


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