Depois de agradar em cheio aos puristas com os restomods inspirados no lendário Lancia 037, a Kimera elevou o nível ao apresentar seu primeiro carro totalmente desenvolvido do zero: o Kimera K39.
Mostrado ao público no Concorso d’Eleganza Villa d’Este, o K39 mantém como referência os “monstros sagrados” das pistas na era de ouro da Lancia - só que aqui a proposta vai além da simples nostalgia.
Na prática, trata-se de um hipercarro concebido do início ao fim, que mistura monocoque em fibra de carbono, câmbio manual e tração traseira com um ingrediente inesperado: um V8 biturbo fornecido pela Koenigsegg e ajustado “à medida” para a marca italiana.

© Kimera
Inspirado no passado (e na competição)
Se os EVO37 e EVO38 iam direto ao imaginário dos ralis do Grupo B, o K39 desloca o foco para as corridas de resistência dos anos 80.
A base estética vem do Lancia Beta Montecarlo Turbo Grupo 5 de 1981 - curiosamente, o antecessor técnico e a fundação de engenharia do Lancia 037 do Grupo B. Já o uso do V8 funciona como tributo ao Lancia LC2, criado para desafiar o domínio do Porsche 956 nas provas de longa duração.
O resultado é um desenho repleto de referências históricas que, para quem olha sem atenção, pode até passar por mais um restomod. Na dianteira, o K39 preserva os quatro faróis circulares característicos e a grade em formato de “Y”. Os para-lamas bem salientes, por sua vez, parecem abraçar uma carroceria visualmente mais estreita no miolo.
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À primeira vista não dá para notar, mas os faróis dianteiros são retráteis. (© Kimera)
A traseira inevitavelmente lembra a F40. (© Kimera)
A sensação fica ainda mais forte por causa das saídas verticais e da asa gigantesca. (© Kimera)
Há, ainda, elementos bem teatrais - caso dos faróis retráteis escondidos dentro dos anéis de LED na dianteira. É uma solução que sugere um caminho para resgatar um dos tipos de farol mais icônicos da indústria.
Mas o K39 não vive só de forma: por baixo das linhas retrô existe um trabalho aerodinâmico avançado, com a Kimera contando com o apoio da Dallara no desenvolvimento da aerodinâmica.
Entre os recursos adotados aparecem um sistema S-Duct (duto em S) na dianteira, alívio de pressão nas caixas de roda (como no Porsche 911 GT3 RS) e diversas entradas de ar voltadas à refrigeração do motor e dos sistemas auxiliares.
Neste ponto, vale mencionar que, na traseira, as lanternas circulares, o difusor enorme e uma saída de escape central da Koenigsegg deixam o K-39 ainda mais marcante no impacto visual.
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Italiano com coração sueco
No coração do Kimera K39 está um V8 5.0 biturbo com 1000 cv e 1200 Nm de torque, capaz de girar até 8250 rpm. Ele deriva do motor usado pelo Koenigsegg Jesko, mas a Kimera escolheu uma calibração menos extrema.
Em vez da configuração perto de 1600 cv do hipercarro sueco alimentado com E85 (85% etanol, 15% gasolina), o K39 usa turbocompressores menores herdados do Agera, software específico e uma admissão retrabalhada para priorizar resposta imediata e uso em estrada. Outro ponto importante: toda a potência é entregue com gasolina 95 convencional.

© Kimera - O V8 sueco que anima o K39.
Acoplado ao motor e responsável por levar o torque às rodas traseiras está, ao menos inicialmente, um câmbio manual de sete marchas. A marca avalia oferecer como alternativa uma caixa sequencial com aletas atrás do volante.
A função desse “tratado” de engenharia mecânica é mover uma massa de apenas 1100 kg - só 100 kg a mais do que um MX-5 1.5. Em outras palavras: mesmo pesando praticamente o mesmo que o EVO38 (equipado com um quatro-cilindros de 2,1 litros), o K39 entrega mais 400 cv(!).
Esse “peso pluma” foi possível graças ao uso de um monocoque integral em fibra de carbono, inspirado no universo das competições, e complementado por uma suspensão pushrod nos dois eixos.
Kimera K39 vai atacar Pikes Peak
Diferentemente de muitos projetos que se limitam à estética, no Kimera K39 o vínculo com as pistas é bem mais do que uma ferramenta de marketing. A marca italiana já confirmou que pretende desenvolver uma versão extrema voltada para a subida de Pikes Peak - veja as imagens na galeria a seguir:
Galeria (5 imagens)
Batizado de K39 Pikes Peak, ele se diferencia pelo pacote aerodinâmico agressivo: uma asa traseira colossal, tomada de ar no teto e um splitter dianteiro exagerado.
Para os mais saudosistas, porém, talvez o destaque maior seja a pintura - impossível ser mais apropriada - ao adotar as cores icônicas da Martini Racing.
Vídeo (YouTube): K39 Reveal - Kimera Automobili
Produção limitada e preço milionário
A quantidade total do K39 ainda não foi confirmada oficialmente, mas tudo indica uma série bem curta, em algum ponto entre 50 e 100 unidades. Aproximadamente 20 exemplares já teriam sido reservados.
Sobre o preço, a fabricante também não divulgou números. Ainda assim, é difícil imaginar um valor abaixo de dois milhões de euros, especialmente levando em conta o nível de personalização planejado.
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Ou leia o artigo sobre o tema:
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Autor
João Delfim Tomé
Apaixonado por carros desde sempre, João divide os dias entre o teclado da Razão Automóvel e as ferramentas do Lada Niva que está restaurando.
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Tags
Apresentação; Concorso d’Eleganza Villa d’Este; Kimera; Kimera K39; Koenigsegg; Supercarros; V8





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