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Ponte sobre o rio Lima em Viana do Castelo entra na fase final e é apelidada de "viviana"

Dois engenheiros com coletes e capacetes discutem perto de plantas em uma obra junto ao rio e uma ponte.

A nova travessia sobre o rio Lima, em Viana do Castelo, está na reta final das obras. Quem trabalha no canteiro - gente de várias nacionalidades - acabou apelidando a ponte de "viviana".

A partir do verão, será possível cruzar o Lima de carro, a pé ou de bicicleta por essa nova ligação. A ponte faz a conexão entre as estradas nacionais 203, em Deocriste, e 202, em Nogueira. A estrutura principal já foi concluída e, neste momento, está recebendo pintura na cor cinza. Ainda seguem serviços como o revestimento dos passeios, a instalação de defensas metálicas e guarda-corpos, a colocação da iluminação pública e a passagem de infraestruturas de telecomunicações.

Erguida em ritmo acelerado - cerca de um ano e meio - a obra ganhou nome próprio dentro da equipe. "Por estarmos em Viana. Quando eu cheguei aqui, a viga já era a viviana", relata o diretor da obra, Artur Patrão, da ACA Construction (Alberto Couto Alves), assegurando que a travessia "estará pronta no verão".

O contrato, de 20,2 milhões de euros, tem financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e está condicionado a metas físicas e financeiras, com prazo até 31 de agosto deste ano.

Em um placar fixado na entrada do canteiro, é indicado que a finalidade da ponte - a quarta sobre o Lima no município - é "reforçar a resiliência e a coesão territorial, através do aumento da competitividade do tecido produtivo e permitindo uma redução de custos de contexto".

Espaço para todos

Na avaliação de Artur Patrão, trata-se de uma estrutura com impacto direto na mobilidade local. "É uma infraestrutura muito importante para Viana. Vai tirar uma série de tráfego pesado, diretamente para a autoestrada", afirmou, enquanto acompanhava a equipe de reportagem do JN ao longo do tabuleiro.

O tabuleiro tem 816 metros de comprimento. A faixa destinada ao tráfego rodoviário mede 10 metros de largura, somada a dois passeios laterais com 2,5 metros cada, um de cada lado, projetados para pedestres e ciclistas.

Segundo o responsável, o desenho prevê espaços equivalentes para quem caminha e para quem pedala: "O que está previsto é uma ciclovia e uma via pedonal, exatamente iguais. Este tipo de passeios, não são os ditos normais. Têm 2,5 metros de largura, ou seja, são passeios bastante robustos e seguros para as pessoas passarem".

A ponte se apoia em 24 alinhamentos, cada um com dois pilares. No trecho mais profundo do rio, os pilares chegam a 9,10 metros. A ligação se integra a duas rotatórias e, considerando as rampas de acesso, o conjunto totaliza quase dois quilômetros de extensão.

A obra foi consignada em dezembro de 2024 e enfrentou dois invernos, além de diversas tempestades. Para garantir um terreno estável, de acordo com Artur Patrão, foram usadas "cerca de 60 mil toneladas de terra" na formação de uma base firme.

Grandes desafios

O processo construtivo exigiu operações específicas dentro do leito do rio. "Para construirmos a ponte, fizemos uma plataforma provisória até meio do rio. Estrangulamos o caudal. Depois da plataforma feita, começamos as fundações indiretas. Fizemos uma ensecadeira [um recinto provisório construído dentro de água], com estruturas metálicas que abraçam as fundações e impedem que tanto a terra como um caudal grande água vá lá para dentro. Aspiramos a água e os homens estão lá dentro a trabalhar, em segurança, em seco", explicou, resumindo que, naquele ponto, "era como se o rio não existisse".

A partir dessas fundações, a estrutura foi sendo montada gradualmente, com pilares e vigas, etapa por etapa. Para levantar a ponte, foram necessárias milhares de toneladas de concreto e aço. O diretor da obra detalha os volumes: "Cada secção do tabuleiro, são 24, leva 350 m3 de betão. Se multiplicarmos por 24, só em betão estamos a falar de 8400 m3 de betão (cerca de 21 mil toneladas)."

Entre os obstáculos mais relevantes, Artur Patrão aponta a necessidade de ajustar o método de construção por causa da presença de uma linha de média e alta tensão na margem esquerda.

Nesse contexto, foi empregada uma viga lançadeira trazida da Polônia - que agora já está sendo desmontada para seguir para a Lituânia. "Era uma estrutura metálica azul que por baixo, onde nós estávamos, fazia a forma do tabuleiro, fechava, nós montávamos o aço, betonávamos, abria e andava para frente [para repetir o processo]", descreveu, acrescentando: "Nunca tinha feito uma ponte com este sistema". Quando o tabuleiro alcançou a metade do percurso, a plataforma em terra foi removida e transferida para a outra metade do rio.

Um reforço para as empresas

Para Luís Nobre, presidente da Câmara, a ponte, somada à nova via do vale do Neiva (também em construção), representa "uma infraestrutura estratégica para melhorar a ligação entre as duas margens do Lima e reforçar a coesão territorial do concelho". O autarca destaca ainda a função logística: trata-se de "um meio de comunicação para os novos parques empresariais de Nogueira e Cardielos e da DS Smith [fábrica de embalagens], em Deocriste, que desta forma ficam com acessos às principais vias e ao porto de mar". Na visão do edil, a travessia é "fundamental para o desenvolvimento económico e a mobilidade no território rural do concelho".

"Quando passamos em Gaia dizem que é a ponte do pai"

Aos 39 anos, Artur Patrão - engenheiro civil natural de Santa Maria da Feira - comanda a direção da obra da nova ponte. Ele já esteve à frente da construção de outras travessias e, de acordo com a própria equipe, "termina obras antes do prazo". "Estive no viaduto de Santo Ovídeo em Gaia, aquele viaduto metálico branco, e depois na variante em Celorico de Basto, que tinha uma ponte em cima de um rio, e diversos viadutos. E antes de trabalhar em Portugal, estive sete anos em Angola e lá fiz uma reabilitação de uma ponte e uma nova também", contou. "É o que mais gosto de fazer", completou.

Ele diz que a motivação veio cedo, em períodos de férias, trabalhando em obras na aldeia onde cresceu. "Quando fui para a faculdade, foi só dar seguimento", afirma. Também admite sentir "pertença" e conta que gosta de atravessar pontes acompanhado pela família: "Tenho dois meninos pequenos, o Afonso, com nove anos, e a Anita, que vai fazer seis, e quando passamos em Gaia, dizem que é a ponte do pai".

Trabalhadores

90 é o número médio de trabalhadores envolvidos na fase final da obra. Ao longo da empreitada, foram cerca de 70.

Várias nacionalidades
Portugueses, brasileiros, indianos e africanos de diferentes origens participaram da construção. "É o que tem salvado um bocado a mão de obra. Portugueses são cada vez menos", comentou Artur Patrão.

Comunicação por gestos
Patrão menciona a "dificuldade de comunicação" com os indianos. "Não falam inglês, não falam português ou falam muito mal, e nós não falamos indiano. Comunicamos por gestos. Apesar de haver sempre um que comunica melhor, é sempre um entrave".

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Máquina rara
Uma máquina "Bridge by Bridge", capaz de operar por baixo da ponte, foi utilizada para corrigir imperfeições no concreto antes da pintura. "Ou trazíamos um barco e púnhamos estruturas em cima ou recorríamos a este tipo de equipamentos que são raros".

Cresce no verão
Para reduzir os efeitos da dilatação térmica dos materiais - um comportamento natural diante da variação de temperatura - foram instaladas duas juntas de dilatação de 25 centímetros, uma em cada extremidade. "Permitem que a ponte possa dilatar e que o tabuleiro mexa sem que as pessoas sintam", explicou Artur Patrão.

15 metros é a largura do tabuleiro da ponte, somando as vias de tráfego rodoviário, os espaços de pedestres e o trajeto para bicicletas.

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